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quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Prefácio de meu futuro livro

Ao meu pai que amo demais ; a minha mãe que é hoje minha melhor amiga ; aos meus irmãos ; a meu filho , que praticamente salvou a minha vida e que me devolveu a alegria de viver; ao meu analista que me fez enxergar o meu EU; as minhas grandes amigas que sempre estiveram ao meu lado; a mim mesma que hoje estou lutando e vivendo uma vida minha feliz e saudavél ;a minha sobrinha Maria Antonia enfim a todos vocês , que com este livro pretendo e espero ajudar de alguma forma a superar problemas e traumas .

Um turbilhão...
Faço análise desde a adolescência. Mas em Novembro de 2008 comecei uma terapia completamente diferente de tudo o que já tinha experimentado: comecei uma jornada intensa em busca de mim mesma, dos meus focos, dos meus sonhos pessoais, sempre tão perdidos num turbilhão de acontecimentos problemáticos e doentios, que me arrastaram desde muito pequena de uma forma avassaladora, sem nunca me deixar espaço para um livre arbítrio sobre o que eu realmente queria. Eu me achava uma pessoa fraca, frágil, e comecei a perceber que tudo o que eu havia feito na minha vida até hoje, tinha sido em função de lutar e proteger as pessoas que eu amo e tentar resolver os problemas da minha família. Percebi o quanto eu era forte e uma grande lutadora desde pequena, e como consegui enfrentar e sobreviver a tantas crises, e criar meu filho longe dessa loucura, proporcionando a ele, dentro do possível, um ambiente normal e saudável, bem diferente do que eu nunca tive.
Por isso resolvi escrever esse livro. Para dividir com vocês a minha história, abrir meu coração e a minha alma e quem sabe ajudar todos os que passam ou passaram por problemas parecidos com os meus. Mostrar que em qualquer família, pode ser rica, classe média, pobre, não importa, uma doença psiquiátrica pode existir e tem que ser diagnosticada e tratada o quanto antes, para que não se transforme num pesadelo do qual não se consiga acordar.
Infelizmente, minha família, que todos consideravam normal perfeita e que tinha tudo para ser feliz... vive esse pesadelo. Meu pai é bipolar e dependente químico. Infelizmente, a doença dele não foi diagnosticada a tempo. Sem saber que estava doente, ele entrou no caminho infernal das drogas. Eis a razão de tudo. Até hoje estamos em busca de um final feliz para a nossa história.
Quero mostrar a vocês que mudar é possível, largar as drogas é possível, mas é preciso coragem para abrir os olhos, enxergar e enfrentar o problema com coragem e não fazer o que se fez: achar que “é só uma fase que vai passar”, como falavam, ou, como se diz, “tapar o sol com a peneira”. A família tem que ficar atenta, tem que intervir e a pessoa que enveredar pelo caminho das drogas tem de ser convencida a se tratar. É aí que entendemos melhor a velha frase “ser duro sem perder a ternura”, proporcionando a essa pessoa ajuda médica permanente para manter a doença sob controle. Infelizmente minha avó paterna, a matriarca da família, pois meu avô já sofria de um mal irreversível, não enxergou isso. Não fez o que deveria ter sido feito com meu pai, enquanto ainda era possível regredir o quadro. Ele foi ficando cada vez mais doente e adoecendo toda a família junto.
Compartilhando a minha experiência, quero poder ajudar vocês a entenderem um pouco mais sobre cada detalhe desse problema que vivi e ainda vivo com meu pai. E a dor que ainda carrego comigo todos os dias.
Não é fácil dar um “rewind” no filme da vida e ficar lembrando e analisando tantos momentos tristes e angustiantes, tanta revolta, tanta mágoa que eu tenho guardada dentro de mim, tanta dor. Escrevo cada página desse livro com lágrimas escorrendo. Cada parágrafo, cada lembrança toca meu coração e me leva de volta para um lugar que eu adoraria que nunca tivesse existido. Quero mostrar para vocês como a droga transforma qualquer pessoa num monstro, qualquer lar num verdadeiro inferno, destrói uma família e com todos ao seu redor. O drogado fica sem sentimentos, sem pudor, sem amor por si ou por qualquer outra pessoa. Ele vira um nada e nos momentos de lucidez, também se sente um nada e sofre, sem ter a consciência de que faz sofrer a todos os seus. Ele é um náufrago, que se debate num mar revolto, e quando pensa que vai conseguir chegar na praia, vem uma onda mais forte e o arrasta para o fundo de novo.
Aqui segue minha história para vocês. Precisava dividi-la e se ela puder ajudar alguém ou alguma família, ficarei realizada e feliz.